top of page

Bandidolatria – A inversão de valores

  • 5 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

Prezados leitores, se leram a primeira crônica publicada neste blog, certamente recordarão da referência feita ao Tribunal do Júri e ao meu profundo interesse por esta esfera, pois bem, a presente crônica não tratará tão somente do Tribunal do Júri, embora eu considere essencial enfatizar este aspecto, pois foi nesse contexto que minha percepção sobre certos temas foi radicalmente transformada: Em uma sessão plenária, tive a oportunidade de observar de perto o verdadeiro significado de inversão de valores e além disto, pude testemunhar a manifestação do mal presente nesta Terra.


Aliás, antes de adentrar no conteúdo desta crônica, permitam-me fazer um convite: se desejam compreender o que é desconfiança, assistam a uma audiência na Vara Cível; se buscam testemunhar o verdadeiro drama, compareçam a uma audiência na Vara de Família; porém, se o que procuram é uma visão do mal em sua forma mais evidente, sem dúvida alguma, assistam a um julgamento pelo Tribunal do Júri.


Pois então retomando, a partir desse júri, comecei a sentir um forte interesse, como se fosse um chamado, algo que estava adormecido/latente dentro de mim, de repente manifestou-se e me tomou conta: Meu interesse pelo Ministério Público.


Antes não havia esse desejo, talvez por ignorância, eu até poderia compreender a função do MP, mas nunca havia vivenciado a prática (até então, meu contato com julgamentos se limitava a assistir as sessões pela internet ou a júris simulados. Contudo, é preciso reconhecer que essas experiências não se comparam à vivência de uma plenária do início ao fim, presencialmente), e então, neste mencionado Júri, foi quando pela segunda vez assisti um promotor de justiça sustentando oralmente. (Embora já houvesse considerado o promotor impressionante na primeira oportunidade, essa segunda experiência revelou-se ainda mais significativa)


Sinceramente, respeito profundamente a todos e suas respectivas profissões, e, em alguns casos, admiro-os sinceramente. No entanto, este promotor em particular se destacou de maneira excepcional. Durante aquela plenária, eu me via pensando: "De fato, tudo o que ele está dizendo é perfeitamente fundamentado". A cada intervenção proferida por ele, caracterizada por frases impactantes, eu pensava: "Ele é extremamente competente!" (Vale destacar que o caso não era simples para o Ministério Público). No entanto, a questão fundamental, além de sua inegável competência, não era esta, e sim que ele estava, e continua estando, do lado certo.


E desde então, a partir do referido dia, comecei a sentir uma forte afeição para com o Ministério Público, bem como uma vultosa vontade de ser promotora (do júri), (coisa que até então nunca havia passado por minha cabeça).


E após este episódio, comecei a desenvolver um pensamento mais crítico, não crítico no sentido de analisar as circunstâncias à linha de raciocínio do Ministério Público (isto já se refletia em mim, embora não com a mesma intensidade de hoje, mas já estava presente), mas num outro sentido: o olhar para a sociedade, mais especificamente às instituições de ensino.


Comecei a perceber o quanto essas instituições tendem a te direcionar exclusivamente para a advocacia, desprezando significantemente as carreiras públicas e em especialmente no campo do direito penal, concentrando-se predominantemente na advocacia criminal apenas defensiva e depreciando, de maneira integral, o papel do assistente de acusação.


Comecei a notar que, durante as semanas de palestras promovidas pelas instituições, a grande maioria dos convidados eram advogados. Embora ocasionalmente profissionais voltados para carreiras públicas também comparecessem, o foco predominante era claramente na advocacia. Isso se evidenciava não apenas pela escolha dos palestrantes, mas também pelos discursos pregados.


E é aí que reside o problema. Qual seria esse discurso? Ao sair do âmbito das palestras e adentrar na vivência universitária propriamente dita, observa-se que frequentemente se fazem declarações como: “É apenas uma vítima da sociedade” — referindo-se a indivíduos envolvidos em crimes como roubo, homicídio, sequestro, entre outros. Adicionalmente, há quem minimize tais condutas com expressões como “foi apenas uma facadinha”, acompanhadas de gargalhadas...


Como já dizia Olavo de Carvalho: “Não há nada mais perverso do que a inocência perversa, pois quem não enxerga o mal trabalha para ele, e TODO inocente útil é útil ao diabo”.


Esta citação do pensador ilustra de maneira perfeita o perfil das pessoas que fazem declarações semelhantes às mencionadas anteriormente.


Ou melhor ainda, como já dizia Edilberto de Campos Trovão “Há duas espécies de pessoas que não apreciam o Ministério Público: os ignorantes - porque não o conhecem e os desonestos - que sabem muito bem o motivo”.


A frase é, por si só, bastante reveladora, portanto, permitam-me acrescentar: Se ainda não manifestam apreço pelo Ministério Público, que tal posição se deva exclusivamente à falta de conhecimento, uma vez que sempre há tempo para adquirir novas percepções e aprender. No entanto, no que tange aos garantistas da desonestidade, será para mim uma honra, no futuro, responsabilizar no Tribunal do Júri aqueles que forem assistidos por vocês.


Portanto, caro leitor, minha mensagem é a seguinte: não se desvie de sua essência; mantenha sua originalidade e evite se conformar com a mentalidade coletiva prevalente, o tal efeito manada.


Com isso, pouco menos de concluir, ressalto aos prezados estudiosos que me acompanham: Hoje meu desejo é de apenas fomentar uma reflexão entre meus estimados leitores, pois conforme mencionei no início desta crônica, há aspectos que só conseguimos compreender ou que somente se revelam a nós após vivenciarmos uma experiência prática.


Portanto, meu conselho, oferecido com sinceridade, é o seguinte: assista a um Tribunal do Júri, compareça quantas vezes puder e, após essa vivência, reflita sobre qual caminho deseja seguir. A decisão que trouxer uma paz verdadeira à sua alma será a mais adequada.


Caso opte pela advocacia criminal (defensiva), continuará tendo seu valor como profissional e continuará sendo digno de respeito como qualquer outro ser humano (é o mínimo né?!), mas encerro esta crônica com a seguinte frase: “Se em tua caminhada não bateres de frente com o diabo é porque estás caminhando na mesma direção que ele” - São João Maria Vianney.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
WhatsApp Image 2024-07-13 at 17.24.29.jpeg
WhatsApp Image 2024-07-09 at 19.41.11.jpeg

Sobre mim

Sou Suzana Novais, graduanda em direito, assistente jurídica, empreendedora na área da moda e proprietária deste blog.

 

  • Instagram
bottom of page