Cannabis: Experiências Internacionais - Canadá
- 5 de ago. de 2024
- 5 min de leitura
Seguindo a abordagem sobre experiências internacionais com a maconha, hoje iremos abordar as mudanças ocorridas após a legalização da maconha no Canadá, visto que nosso foco é realizar uma abordagem em todos os países antes de discutirmos sobre o Brasil.
É comum acreditarem que os jovens são o principal grupo que deleitam a liberdade da legalização da cannabis. No entanto, no Canadá, o maior crescimento no número de usuários após a legalização ocorreu entre indivíduos da 3ª idade, com mais de 65 anos.
Inclusive, o número de idosos hospitalizados por envenenamento por Cannabis triplicou depois que o país legalizou a venda de maconha no varejo, de acordo com um estudo publicado em maio de 2023 no periódico JAMA Internal Medicine.
O estudo descobriu que depois que o Canadá legalizou a maconha, o número de atendimentos de emergência por envenenamento por Cannabis aumentou acentuadamente entre pessoas com 65 anos ou mais, em Ontário.
Foram analisados dados de três períodos ao longo de quase oito anos: Os pesquisadores analisaram dados de 2015 a 2022: a era pré-legalização; o primeiro período de legalização, que permitiu a venda apenas de flores secas de Cannabis; e o segundo período de legalização, que permitiu a venda de Cannabis comestível.
Durante esse período, foram analisadas 2.322 consultas de emergência por intoxicação por Cannabis em adultos com mais de 65 anos —sendo 55,2% homens e 44,8% mulheres, com idade média de 69 anos.
O estudo afirma que, durante o primeiro e o segundo período de legalização, a taxa de visitas ao pronto-socorro foi substancialmente maior do que a pré-legalização. Os envenenamentos duplicaram depois que o país legalizou a venda da flor de Cannabis e triplicaram 15 meses depois, quando foi legalizada a venda de produtos comestíveis, sendo os sintomas de envenenamento tonturas, confusão, náuseas, perda de coordenação e equilíbrio, sonolência e alucinações.
Os canadenses com 65 anos ou mais são o grupo etário que mais cresce no consumo de Cannabis, com mais de 400 mil pessoas afirmando ter experimentado a droga até o final de 2019, em comparação com 40 mil em 2012, de acordo com um relatório do Statistics Canada.
Também houve um aumento nos atendimentos de emergência por acidentes de trânsito relacionados à motoristas sob o efeito da erva, entre a legalização e a abertura completa da comercialização da droga, houve um aumento de 223%. (além de serem mais graves os acidentes, levando a um tempo maior de internação). O estudo foi publicado na revista JAMA Network Open, da Associação Médica Americana.
O aumento observado após a legalização do uso recreativo também foi associado à pandemia de Covid, porém, diferentemente da doença, os efeitos psicoativos da Cannabis têm mecanismos muito plausíveis pelos quais prejudicam a atenção ao volante. Outros estudos já indicavam que o uso aumentava o risco de colisões de veículos automotivos, e o Canadá já implementou um limite legal de tetrahidrocanabinol (THC), o princípio psicoativo da planta, no sangue dos condutores. (Teremos um artigo em específico para discutir sobre THC)
O mercado demorou alguns anos para se adaptar à nova realidade, por isso os efeitos negativos da maconha no trânsito não haviam sido descritos com clareza antes do estudo. No começo, o governo canadense permitia apenas a venda de flor de maconha desidratada em pouquíssimos estabelecimentos. A partir de 2020, os limites ao número de lojas foram removidos e a variedade de produtos explodiu com equipamentos de vaporização, produtos comestíveis e extratos concentrados. Entre 2019 e 2021, as vendas cresceram quatro vezes e o número de lojas, 47 vezes. Como a pandemia reduziu a circulação de veículos, o número de acidentes poderia ter sido ainda maior.
Os dados são da província de Ontário, a mais populosa, com mais de 14 milhões de habitantes. Os cientistas excluíram dos dados os menores de 16 anos, idade mínima para dirigir no país. Ciclistas e pedestres foram incluídos. O estudo se ateve aos casos em que os efeitos da maconha foram confirmados como a principal causa dos ferimentos que precisaram de atendimento de emergência.
A natureza dos ferimentos provocados por condutores sob o efeito da maconha também se mostrou diferente. “Na média, foram bem mais graves que as visitas à emergência que não envolviam a Cannabis, com maiores taxas de internação”, comentam os autores.
“O uso da Cannabis pode aumentar o risco de ferimentos e da severidade de tais ferimentos”. Para eles, a prevenção de acidentes causados pelo uso de maconha é uma prioridade na saúde pública.
Além do mais, tendo em vista que estamos tratando do assunto de acidentes de trânsito, um estudo do Instituto de Segurança Viária das Seguradoras dos Estados Unidos (IIHS), sugere uma relação entre a legalização da maconha e o aumento dos acidentes de trânsito nos estados onde a droga passou a ser permitida. A entidade analisou dados de acidentes de Colorado, Nevada, Oregon e Washington entre janeiro de 2012 e outubro de 2017 para realizar a pesquisa.
Os resultados mostraram que os acidentes de trânsito cresceram 6% nos quatro estados desde a legalização. Os dados da polícia mostraram alta de 5,2% nos acidentes.
Logo, o instituto conclui que a legalização vem tendo efeitos negativos para a segurança viária.
Agora eu lhe pergunto caro leitor, lhe resta alguma dúvida de que não é benéfico legalizar/descriminalizar a maconha? Os dados respondem por si só, mas faço questão de ressaltar: Não se deve legalizar/descriminalizar a maconha!
Como visto no artigo anterior (Uruguai), além de aumentar o número de usuários (cada ano que se passou após a legalização no Uruguai, os números de usuários foram expandindo), também aumentou o número de homicídios entre traficantes, pois adotaram esta medida e não amplificaram a segurança pública, (se bem que nem amplificando a segurança pública seria uma solução cabalmente eficaz), pois não é apenas o traficante que faz mal à população, o usuário contribui significantemente para o definhamento do país.
E quem diz isso não sou eu, são os dados! Se você leu este artigo atentamente, certamente pôde observar os prejuízos vultosos que o usuário de maconha acarreta para a sociedade.
Ou virão me dizer que é legal aumentar o número de acidentes de trânsito? Que é bacana aumentar os atendimentos de emergência por conta de intoxicação à maconha? Que é bom uma pessoa ter tonturas, confusão, náuseas, perda de coordenação e equilíbrio, sonolência e até mesmo alucinações? Isso só levou o país a declínio mais ainda.
Por fim, reitero o que disse no artigo anterior, frase que carrego comigo quando se trata de situações como essas: “Aqueles que não reconhecem o mal acabam inadvertidamente trabalhando a seu favor” e sinceramente é um prazer não me encaixar neste compartimento!
Não há nada mais simplório que a incapacidade de distinguir entre o bem e o mal e, aliás, tal falha não só revela uma preocupante ingenuidade, mas como também um grande carecimento de discernimento crítico!


Comentários