Cannabis: Experiências Internacionais - Uruguai
- 29 de jul. de 2024
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Bom, caros leitores, hoje iremos abordar um assunto o tanto quanto polêmico e extenso: descriminalização e legalização da maconha. Logo, para discutirmos abrangentemente a respeito do nicho, os artigos serão divididos, portanto, esse artigo de opinião tratará a respeito das experiências internacionais com a maconha no Uruguai, pois nada mais justo do que nos basearmos nas estáticas de outros países que já adotaram a medida, para discutirmos.
A legalização, junto à liberação do comércio da maconha foi sancionada no fim de 2013 no Uruguai; mas, devido às dificuldades burocráticas, o comércio só teve início em julho de 2017. Ao decorrer do artigo veremos os malefícios que a legalização trouxe ao Uruguai.
Seguindo a pauta dos comércios terem sido implantados apenas em 2017, paralelamente, devido às exigências burocráticas (como a necessidade de cadastro prévio para compra), muitas pessoas preferiram/preferem continuar adquirindo a substância por meio do mercado ilegal, pois não desejavam/desejam realizar tal cadastro. Ou seja, além do aumento do número de usuários registrados, há também indivíduos que continuam comprando na mão dos traficantes.
Esse ponto desmente definitivamente o argumento defensivo de que a legalização extingue o tráfico. A ideia de que os traficantes abandonarão seus postos é risível. Os defensores desta ideia acham que o traficante vai falar “agora vou trocar de profissão, acho que vou virar engenheiro” hahaha, só pode!
Aos que dizem que não extingue, mas diminui o tráfico, outra falácia também, no Uruguai, a taxa de homicídio acentuada se deu justamente por conta dos traficantes! A legalização aumentou a movimentação do mercado ilegal. Ou eles vendem ou vendem, se estiverem com problemas assassinam os concorrentes e voltam a vender, simples, triste realidade.
No ano em que o comércio da maconha teve início, os homicídios tiveram uma alta de 5,6% (puxados exatamente pelos meses pós-legalização) em relação a 2016. De 2017 para 2018, o salto foi de impressionantes 45,8%. Segundo o governo, metade desses assassinatos tem ligação com o tráfico de drogas (Até porque o comércio começou a circular no meio do ano de 2017, em julho).
É importante ressaltar mais uma vez que 2017 foi o ano em que o comércio de maconha realmente começou a ser efetivo e exatamente neste mesmo ano houve um pico de homicídios. Coincidência? Evidentemente que não! Essa correlação é lógica, e aqueles que negam essa realidade estão se baseando numa outra lógica, sabe qual? A lógica perversa, e não há nada mais perverso do que a inocência perversa, pois quem não enxerga o mal, trabalha para ele e todo inocente útil é útil ao diabo!
Argumentam que tal aumento já era esperado independentemente da legalização da maconha (sim, a defesa chega a ser genérica a esse ponto). No entanto, em relação ao segundo dado (45,8%), é difícil para os defensores da legalização justificarem. O comércio passou a ser efetivo em 2017, e de 2017 para 2018 houve um aumento de 45,8% nos homicídios. Em outras palavras, com o início da venda de maconha em farmácias, a taxa de homicídios aumentou. Vocês realmente irão se convencer de que isso é uma mera coincidência?
Dados apontam o Uruguai registra um aumento no número de homicídios vinculados aos enfrentamentos entre narcotraficantes, conflitos ensejados pelo controle dos pontos de vendas, segundo as investigações de um pesquisador da universidade privada ORT, que monitora o impacto da lei para a segurança pública do país, onde essas brigas não se dão exclusivamente por maconha, mas também pelas sucessoras dela, cocaína e crack (sucessoras, pois a maconha sempre é a 1ª droga ilegal a ser consumida).
Logo, é importante ressaltar que o narcotráfico evidentemente passou a focar mais na cocaína e no crack, pois essas drogas continuam sendo ilícitas, logo são as mais rentáveis, com isso, percebem como tudo está interligado?
Portanto, em minha opinião, afirmar que a maconha não tem relação com as guerras narcotráficas é uma falácia. Essas guerras se intensificaram após os traficantes sentirem o impacto financeiro e perceberem a necessidade de aumentar as vendas de drogas ilícitas, pois a concorrência referente à maconha aumentou significativamente com a legalização. Obs: E consequentemente para aumentar as vendas de drogas ilícitas, precisa diminuir a concorrência, ou seja, o traficante 1 precisa derrubar o traficante 2.
Ademais, olhem essa narrativa apresentada por um defensor "Não há relação alguma que tenhamos constatado entre a legalização da cannabis e o aumento dos homicídios no Uruguai. Pelo contrário, a maioria dos usuários compra de forma pacífica um excelente produto, sem enfrentar os riscos que enfrentam no Brasil, Argentina ou Chile”. Sinceramente, essa narrativa convence alguém? Este defensor deu um depoimento para a UOL, oportunidade perfeita para fazer uma boa defesa, e essa fora a narrativa apresentada por ele, não apresentou sequer dados, ou melhor, sequer rebateu dados que vão contra a sua narrativa.
Vocês percebem que ele mal falou do que fora perguntado (sobre o país dele e ainda falou a respeito dos outros países, sem formar uma argumentação sobre o país DELE antes), além de simplesmente ignorar e não argumentar sobre o mercado ilegal. Além do mais, se essa afirmação tivesse sentido, não haveria combates entre o mercado ilegal, que como já sabemos, estes combates são/foram totalmente estimulados e intensificados pela legalização da maconha.
Um levantamento do UNDOC, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, concluiu que o consumo de drogas no Uruguai em 2017 estava num patamar muito superior ao de 2014, em todas as faixas etárias. O crescimento mais acentuado ocorreu na faixa dos jovens entre os 19 e os 24 anos, em que o consumo habitual passou de menos de 25% para mais de 35%, ou seja, o consumo AUMENTOU gritantemente.
Ora caros leitores, mais uma vez, dados apontando para o ano de 2017, demonstrando que houve um aumento de consumo extremamente significativo. Ou seja, já vimos anteriormente que aumentou a taxa de homicídios em 2017 e agora restou mais que comprovado que aumentou a taxa de consumo/usuários em 2017 também.
E qual é a justificativa para esse fenômeno? A resposta é simples: criminalidade e violência entre traficantes, disputas por território, entre outros fatores. Como já mencionei, é ingênuo (ingenuidade ou inocência perversa) pensar que os traficantes abandonariam suas atividades com a legalização. Pelo contrário, eles buscam eliminar a concorrência e seguem trabalhando.
Considerem o seguinte cenário: suponham que sejam traficantes. Naturalmente, a legalização seria uma preocupação, pois resultaria em uma diminuição nas vendas, embora não as eliminasse. Assim, precisamos focar em algo que a concorrência seja menor para continuarmos obtendo lucro, algo que apenas nós temos: a cocaína, o crack e todas as outras drogas mais pesadas. Logo, quando um cliente chega ao ponto de venda, prefeririam que ele adquirisse a sua droga ou a do concorrente? Agora compreendem a razão das disputas territoriais? E o quanto isto está interligado com a legalização da maconha?
Segundo o relatório oficial do Instituto de Regulamentação e Controle da Cannabis (IRCCA), publicado em 2023, o número de usuários registrados aumentou mais de 150% desde 2018 no Uruguai, enquanto em 2018 o consumo era de 34.118, em 2019- 47.067, 2020 - 53.399, 2021 - 67.998, 2022 - 74.891 e 2023 - 86.207, fora os usuários que continuam comprando ilegalmente.
Ou seja, na tentativa de impulsionar a economia (que deu certo a custo de muito sangue e gerar mais usuários) e garantir uma redução da violência com a legalização (como afirmou o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, em suas declarações de que a liberação da maconha reduziria a violência), o que se observou foi o seguinte: aumento da violência, criminalidade, homicídios, mais usuários do que antes, e, consequentemente, profissionais envolvidos com o uso de maconha.
A probabilidade desses "profissionais" desenvolverem problemas como falta de foco, lentidão, incapacidade de raciocínio, perda de memória, e transtornos psicológicos e comportamentais é muito considerável. Isso implica em colocar no mercado de trabalho, profissionais de qualidade questionável. (Este assunto, por si só, merece um artigo detalhado, no qual explicarei a composição da maconha, seus efeitos no ser humano, entre outros aspectos relevantes).
"Afinal, ele está prejudicando apenas a si mesmo e não os outros." Diga isso às vítimas de acidentes de trânsito causados por motoristas sob o efeito de maconha. (acidentes de trânsito serão abordados no artigo sobre o Canadá).
“Ah, mas você está sendo dramática demais, a maconha não causa tudo isso”. Será? Leia todos os artigos desse site relacionados à maconha (este é apenas o 1º), e veja se é dramatismo ou se é apenas a realidade que muitas vezes é ocultada, já que em cada país houve um impacto negativo diferente.
Por fim, podemos concluir que após a legalização da maconha no Uruguai, houve um aumento no número de usuários, bem como um incremento nas taxas de homicídios, criminalidade e violência. O crescimento no número de usuários contribuiu para uma deterioração geral da situação, evidenciando que, se a situação já era problemática, a legalização exacerbou os problemas existentes. Esse cenário não apenas contribui para profissionais menos qualificados no ambiente de trabalho, que reflete diretamente na sociedade, como também agravou a criminalidade, que, por sua própria natureza, compromete a segurança do país.


Muito bom acompanhar esse site, sempre informações úteis!
Além de trazer muitos dados para fundamentar a sua opinião, ótima análise feita quanto a interligação da legalização maconha com o aumento de violência e criminalidade, quem não enxerga isso, como você mesma disse é um inocente perverso!